
10 aprendizados mentorando profissionais de tecnologia por décadas
26/02/2026Ao longo de muitos anos atuando com tecnologia, aprendi muito sobre sistemas, arquitetura, decisões técnicas e impacto de escolhas mal feitas. No entanto, o aprendizado mais consistente não veio apenas do código ou das ferramentas, mas das pessoas que cruzaram esse caminho comigo ao longo do tempo.
De forma natural, profissionais passaram a me procurar para conversar. No início eram trocas informais, dúvidas pontuais e pedidos de opinião. Com o passar dos anos, essas conversas ficaram mais frequentes e profundas, evoluindo para acompanhamentos mais próximos e reflexões sobre carreira, liderança e decisões difíceis.
Hoje já são centenas de profissionais que ajudei ou acompanhei de alguma forma. Muitos seguem atuando no mercado, alguns lideram times, outros empreendem e alguns ainda mantêm contato até hoje e me procuram para conversar. Ao observar essas trajetórias, ficou evidente que certos padrões se repetem, independentemente do nível técnico, da empresa ou do momento de mercado.
Quando você apoia pessoas de forma genuína, aprende tanto quanto ensina. A mentoria revela comportamentos, medos e decisões que se repetem ao longo do tempo, permitindo enxergar com mais clareza o que realmente influencia o crescimento profissional na área de tecnologia.
Esses são 10 aprendizados que se confirmaram ao longo de décadas mentorando profissionais de tecnologia.
1. O medo de errar paralisa mais do que a falta de conhecimento. Muitos profissionais travam antes mesmo de tentar, não erram porque não experimentam e esperam estar prontos, completos e seguros, um momento que quase nunca chega. Quem cresce não é quem sabe tudo, mas quem testa mais cedo e ajusta mais rápido.
2. Querer abraçar tudo ao mesmo tempo é um erro silencioso. A tecnologia muda rápido, frameworks surgem, modelos evoluem e novas promessas aparecem toda semana. Vejo muita gente perdida não por falta de capacidade, mas por falta de foco. Aprender a priorizar objetivos claros é uma habilidade crítica para sustentar uma carreira de longo prazo.
3. Informação demais gera ansiedade, não evolução. Conteúdo virou vício. Cursos, vídeos, artigos e threads são consumidos ao mesmo tempo, sem critério. Poucos param para refletir sobre o que realmente importa para o momento de vida e carreira em que estão. Separar ruído de sinal é um sinal claro de maturidade profissional.
4. Comunicação é um dos maiores gargalos da área técnica. Não se trata apenas de saber falar, mas de entender como, quando e para quem falar. Existem profissionais tecnicamente excelentes que não conseguem posicionar uma ideia ou defender uma decisão, o que reduz drasticamente o impacto do trabalho.
5. Ser objetivo é respeitar o tempo do outro. Objetividade não é frieza, é clareza. É entregar a mensagem certa, no tom certo, no momento certo. Liderança exige ser entendido, não admirado por discursos longos ou complexos.
6. Rejeição quase nunca é o fim da conversa. Muitos profissionais encaram um não como derrota definitiva, quando na prática esse não costuma ser apenas o início de um diálogo mais maduro. Propostas rejeitadas geram aprendizado, ajuste e evolução. Quem foge da rejeição geralmente foge também do crescimento.
7. Aprender a escutar é mais raro do que parece. Vejo muitos profissionais entrando em conversas já preparando respostas, defesas ou justificativas. A escuta se fecha e o foco vira apenas reagir, não compreender. Esse comportamento limita aprendizados, cria ruído e enfraquece relações. Escutar de verdade exige presença, silêncio e disposição para mudar de opinião.
8. Liderança começa antes do cargo. Muitos esperam o título para agir como líderes, quando na prática a liderança aparece na postura, na responsabilidade e na forma como a pessoa apoia outras ao seu redor. O cargo formal apenas amplifica comportamentos que já existiam.
9. Autoconhecimento define escolhas de carreira. Evoluir tecnicamente sem entender limites pessoais, valores e objetivos costuma levar a frustração e desgaste. Profissionais maduros sabem onde querem chegar, o que estão dispostos a abrir mão e quando dizer não. Sem autoconhecimento, decisões parecem corretas no curto prazo, mas cobram um preço alto depois.
10. Inteligência emocional define até onde o técnico consegue ir. Competência técnica sozinha não sustenta crescimento. Profissionais emocionalmente imaturos reagem mal a pressão, feedback, rejeição e conflito. Fecham a escuta, personalizam problemas e se defendem em vez de evoluir. Inteligência emocional é o que permite avançar sem quebrar relações no caminho.
Em algum momento você vai precisar decidir se quer apenas acumular conhecimento ou se está disposto a crescer de verdade.
Se esse texto gerou desconforto em algum ponto, isso é um sinal. Compartilhe com alguém que você sabe que já tem base técnica, mas segue travado nas decisões, na postura ou na forma de se posicionar. Em muitos casos, o próximo avanço não vem de aprender algo novo, mas de consolidar fundamentos que foram ignorados ao longo do caminho.
E se algum desses aprendizados bateu mais forte, comenta qual foi. Evolução real começa quando a conversa vira decisão.
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Ramon Durães